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Municípios desenvolvem métodos para a redução das perdas em saneamento

Municípios brasileiros estão cada vez mais implantando uma série de métodos e equipamentos que possibilitarão controlar e gerenciar com precisão o volume de água recebido e distribuído pelas organizações de saneamento. 
 
Muitos são os meios utilizados e as organizações vêm aprimorando suas metodologias para redução de perdas de maneira sistematizada. Já no início do novo milênio, Sistemas de Gestão pela Qualidade começaram a influenciar as organizações de saneamento, principalmente os Sistemas ISO 9001, trazendo inestimável foco ao cliente. Associado a estes Sistemas, novas metodologias também foram trazidas para a cultura das empresas, não focadas somente nas perdas, porém com grandes repercussões na sua gestão.
 
No Brasil, Carmo e Távora Jr. (2003) analisaram a eficiência das empresas de saneamento de abrangência estadual, que são 26, das quais se exclui o Estado de Mato Grosso, que não possui companhia deste nível e se adiciona ao Distrito Federal. Para mensurar a eficiência técnica e econômica, eles aplicaram ambos os métodos: o de retornos constante de escala (CCR) e o de retornos variáveis de escala (BCC).
 
O modelo utiliza, como insumos, a mão-de-obra, o volume de água produzido, o volume de esgoto coletado, a extensão da rede de água e a extensão da rede de esgoto e, como produtos, o volume de água faturado, o volume de esgoto faturado, a quantidade de economias ativas de água e a quantidade de economias ativas de esgoto. Não foram apresentadas outras justificativas para o uso deles, senão a de que foram selecionados de um conjunto de variáveis.
 
Os dados foram obtidos do Sistema Nacional de Informações Sobre o Saneamento – SNIS para o ano de 2000, e como resultado foi identificado que 15 das 26 empresas apresentavam eficiência relativa máxima. A empresa que se encontrava em pior situação era a CAEMA, com 67,7% de eficiência, e em melhor situação a CESAN.
 
De igual modo, Tupper e Resende (2004) analisaram as empresas estaduais do setor de saneamento nacional e consideraram apenas 20 das 26 empresas. Os dados foram obtidos do SNIS para o período entre 1996 e 2000. Numa primeira análise, foi aplicada a metodologia BCC, em que os insumos utilizados foram despesas com mão-de-obra e custos operacionais e os produtos foram similares ao modelo anterior.
 
Eles verificaram que existiam heterogeneidades regionais entre as empresas que afetavam a mensuração da eficiência. De fato, após a combinação da DEA com instrumentos econométricos, foi possível corrigir essas diferenças e se obteve como resultado a CAER 7 como a empresa mais eficiente e a CORSAN como a menos eficiente, com um score de 50,9% em 2000.
 
Esses estudos são importantes no sentido de indicar qual empresa está sendo eficiente e, num processo regulatório, estabelecer regras que induzam ao melhor aproveitamento dos recursos pelas demais. Num mercado competitivo, isso ocorreria naturalmente, contudo essas companhias normalmente operam em um monopólio natural e necessitam de uma regulação para atingir a eficiência.
 
Ao se analisarem esses trabalhos, a visão que se tem é a de que a empresa eficiente é a que presta os serviços de abastecimento de água e esgoto com o mínimo de recursos possíveis, contudo não se pode descartar que há uma heterogeneidade na função de produção das companhias do setor, pois a topologia e a geologia, conforme afirmam Ohira e Shirota (2005), além de outras variáveis, afetam o custo do processo produtivo. Em outras palavras: o custo para a obtenção da água bruta e seu tratamento varia de região para região.
 
Os métodos para redução das perdas em saneamento fazem parte do curso de Perdas em saneamento, promovido pela Assemae em convênio com a Funasa. O curso é gratuito e pode ser feito clicando aqui.